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Direita Raiz
Judiciário

Prazo para Moraes se esgota nos EUA

AGU aciona governo brasileiro para intervir em ação do Rumble contra Alexandre de Moraes nos EUA, enquanto prazo para manifestação do ministro expira

15/06/2026 12h44
Por: Redação
Moraes deixa prazo vencer nos EUA e AGU aciona o Itamaraty para intervir em processo
Moraes deixa prazo vencer nos EUA e AGU aciona o Itamaraty para intervir em processo

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou formalmente que o governo brasileiro intervenha em um processo movido pela plataforma Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos Estados Unidos. O caso, que tramita em uma corte americana, ganhou novos contornos com o agravamento do prazo para que Moraes apresente sua defesa — cujo término iminente pode resultar em decisões desfavoráveis ao magistrado em solo norte-americano.

A ação do Rumble, plataforma conhecida por adotar políticas mais flexíveis de moderação de conteúdo, acusa Moraes de violar a liberdade de expressão ao determinar o bloqueio de perfis e canais na plataforma, como parte dos esforços do STF no combate à desinformação e a ataques ao sistema democrático brasileiro. A empresa argumenta que tais decisões extrapolam a jurisdição brasileira e ferem princípios da Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

Diante do avanço do processo, a AGU entende que o caso transcende a figura do ministro e envolve interesses do Estado brasileiro, uma vez que as decisões judiciais atacadas foram proferidas no âmbito de inquéritos oficiais e respaldadas pelo ordenamento jurídico nacional. A intervenção solicitada visa a garantir que a soberania brasileira e o respeito às suas instituições sejam preservados em tribunal estrangeiro.

Paralelamente, o prazo para que Moraes se manifeste nos autos do processo nos EUA está prestes a se esgotar. A defesa do ministro ainda não apresentou resposta consistente ao tribunal americano, o que, segundo especialistas em direito internacional, pode levar a uma revelia (decisão à revelia), abrindo caminho para sanções ou para o prosseguimento da ação sem a versão brasileira.

A situação expõe as tensões entre jurisdições nacionais e o poder de plataformas digitais globais. Para o governo brasileiro, o desfecho do caso pode criar um precedente perigoso: o de que decisões judiciais legítimas de um país soberano possam ser contestadas com sucesso em cortes estrangeiras, sob o argumento de violação da liberdade de expressão — um conceito interpretado de forma distinta entre as duas nações.

Enquanto o tempo corre, a aposta da AGU é que a intervenção diplomática e jurídica do Brasil nos EUA convença o tribunal americano a reconhecer a complexidade do caso e a legitimidade das ações de Moraes dentro do contexto democrático brasileiro. Caso contrário, o ministro e o próprio STF poderão enfrentar um revés inédito em território estrangeiro, acirrando ainda mais o debate global sobre soberania, liberdade de expressão e os limites da regulação das redes sociais.

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