O tabuleiro sucessório do bolsonarismo para 2026 ganhou mais uma peça nos últimos dias. A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) publicou um vídeo em suas redes sociais que reacendeu as especulações sobre seu nome como potencial candidata a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sem fazer referência explícita ao pleito, a parlamentar aparece em tom solene e patriótico, cercada por apoiadores e usando elementos simbólicos da direita conservadora, como a camisa da seleção brasileira e um fundo com as cores da bandeira nacional.
A legenda do vídeo — "Preparada para servir ao Brasil, em qualquer trincheira" — foi interpretada por aliados como um recado direto aos articuladores do PL e à própria família Bolsonaro. Nos bastidores, Zanatta vem sendo sondada como um nome capaz de equilibrar a chapa por sua origem sulista, sua atuação combativa nas pautas de costumes e sua boa relação com a militância mais jovem, ao mesmo tempo em que agrada ao eleitorado feminino conservador sem romper com o estilo beligerante herdado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não confirmou publicamente a intenção de disputar a Presidência, mas seu nome é tratado como o principal herdeiro político do clã, especialmente diante da persistente inelegibilidade do pai. Aliados próximos trabalham com a hipótese de que o anúncio oficial ocorra até o final de 2025, e a definição da vice é considerada estratégica: precisa agregar sem ofuscar, além de garantir representatividade regional e ideológica.
Julia Zanatta, que ganhou notoriedade nacional ao viralizar com discursos inflamados contra o aborto e a favor do armamentismo, reúne esses atributos. Nos últimos meses, intensificou viagens a redutos bolsonaristas fora de Santa Catarina e participou de encontros com lideranças do PL em Brasília sempre ao lado de figuras próximas a Flávio. O vídeo recente, segundo assessores da deputada, não foi combinado diretamente com o senador, mas "não desagradou ao núcleo duro do bolsonarismo".
A movimentação, no entanto, também expõe disputas internas. Outros nomes circulam como possíveis vices na chapa de Flávio, como o pastor e deputado federal Otoni de Paula (RJ) e a ex-ministra Damares Alves (DF). A pré-candidatura de Zanatta, ainda informal, tende a ser testada nos próximos meses em pesquisas internas e negociações de bastidores. Por ora, o vídeo cumpre seu papel: mantém o nome da catarinense no radar e força a cúpula do PL a considerar, cada vez mais seriamente, a possibilidade de uma chapa 100% bolsonarista — de Flávio no topo e Julia na cola.
Especialistas apontam que a estratégia de antecipar o jogo virtual, como fez Zanatta, é comum em cenários sem candidatura definida: cria fato político, mobiliza a base e induz adversários internos a se posicionarem. Resta saber se Flávio Bolsonaro embarcará na "onda catarinense" ou se buscará um perfil mais moderado para a vice — o que poderia ampliar seu alcance eleitoral, mas também desagradar ao eleitorado mais radical. Por enquanto, o vídeo de Julia Zanatta já cumpriu sua missão: deixar claro que, no xadrez de 2026, ela está pronta para ocupar o centro do tabuleiro.
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