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Direita Raiz
Caso Zambelli

Por que a Itália se recusa a extraditar a ex-Deputada Federal

Em decisão histórica, Corte de Cassação de Roma aponta “falta de imparcialidade” do ministro Alexandre de Moraes, gerando crise na cooperação jurídica entre os dois países

12/06/2026 13h58
Por: Redação
Justiça italiana nega extradição de Carla Zambelli.
Justiça italiana nega extradição de Carla Zambelli.

O governo brasileiro sofreu uma derrota significativa no front internacional em sua tentativa de trazer a ex-deputada federal Carla Zambelli de volta ao país para cumprir pena. A Corte de Cassação da Itália, a mais alta instância do judiciário italiano, rejeitou definitivamente o pedido de extradição formulado pelo Brasil, fundamentando sua decisão em um ponto sensível: a acusação de parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso teve início com a condenação de Zambelli, em maio de 2025, a 10 anos de prisão por sua participação na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela emissão de um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Alexandre de Moraes . Antes que a ordem de prisão fosse cumprida, a ex-deputada, que possui cidadania italiana, fugiu para a Europa, sendo presa em Roma em julho de 2025 .

Embora instâncias inferiores da Justiça italiana tenham concordado com a extradição, a defesa de Zambelli recorreu à Corte de Cassação . Em maio de 2026, a corte já havia sinalizado a negativa, libertando a ex-deputada, mas foi com a publicação do acórdão em 11 de junho de 2026 que o real motivo do impasse veio à tona .

Os juízes italianos apontaram que Alexandre de Moraes atuou de forma incompatível com os princípios de um julgamento justo, acumulando papéis inconciliáveis. No processo, Moraes era ao mesmo tempo o relator do caso (responsável por conduzir a ação penal) e a vítima dos crimes atribuídos a Zambelli (a emissão do mandado falso contra ele) . Para a corte, essa dupla função violou o princípio da imparcialidade objetiva.

"A decisão italiana afirma haver 'insuficiência e ilogicidade da fundamentação em relação ao acúmulo das funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução na pessoa de M.A.D.M. [Ministro Alexandre de Moraes]'", descreveu a Agência Brasil com base no documento .

O governo brasileiro, por meio do presidente do STF, ministro Edson Fachin, reagiu com firmeza à decisão. Em nota, Fachin defendeu a atuação da corte brasileira, afirmando que o processo contra Zambelli transcorreu "em estrita observância à Constituição" e que todas as decisões monocráticas de Moraes foram referendadas por unanimidade pela Primeira Turma do STF .

A negativa da Itália não apenas impede o cumprimento da pena pelos crimes de invasão cibernética, mas também joga luz sobre a complexidade política do caso. A defesa de Zambelli sempre sustentou a tese de perseguição política, argumento que encontrou eco na Justiça italiana ao questionar o papel do magistrado .

A situação ainda não está completamente encerrada. A Itália ainda precisa julgar um segundo pedido de extradição do Brasil, referente a outra condenação de Zambelli — desta vez a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento, decorrente de um episódio em que ela perseguiu um homem armada em São Paulo em 2022 . Enquanto isso, a ex-deputada permanece em liberdade na Itália, e o governo brasileiro busca alternativas para reverter o desgaste diplomático e jurídico gerado pela decisão.

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