O filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro que recebeu R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro — atualmente preso —, tornou-se o epicentro de uma batalha judicial que envolve o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e os principais atores da política nacional para 2026 .
A ofensiva começou quando o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou pedido para que o STF investigasse se os recursos do filme foram usados para financiamento eleitoral não declarado (caixa dois) em benefício da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de suposto abuso de poder econômico e uso de fundos no exterior com "operação financeira complexa" .
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, encaminhou o pedido à PGR para manifestação — e foi aí que o tabuleiro virou .
Em resposta imediata, a defesa de Flávio Bolsonaro protocolou no STF um pedido para que Moraes seja declarado suspeito para analisar qualquer procedimento envolvendo Vorcaro e o Banco Master . O argumento central: o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci, mantém contrato com o Banco Master, o que configuraria "proximidade" que comprometeria a imparcialidade exigida de um magistrado .
O destino que a defesa quer dar ao caso não é aleatório: pedem que o processo seja redistribuído ao ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro e atual relator do inquérito que investiga o Banco Master .
A manobra tem peso político considerável. Mendonça já centralizou as decisões do caso Master e, em sua primeira movimentação, determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal do acompanhamento direto das investigações, além de vedar abertura de novas linhas de apuração sem seu aval expresso . Na prática, transferir o caso "Dark Horse" para Mendonça significaria concentrar em um único ministro indicado pelo ex-presidente o controle sobre um inquérito que pode atingir o núcleo do bolsonarismo.
A proximidade entre Flávio e Mendonça ganhou contornos públicos quando ambos dividiram o palanque na Marcha para Jesus em São Paulo, dias antes do protocolo do pedido . Aliados do senador também apostam que as recentes mudanças no Tribunal Superior Eleitoral — com a posse de Kassio Nunes Marques na presidência e Mendonça na vice-presidência — podem ajudar a "blindar" o lançamento do filme, previsto para setembro, em plena campanha eleitoral .
O PT sustenta que o filme não é apenas uma produção cinematográfica, mas um instrumento de transferência de capital político do pai para o filho, financiado com recursos privados vultosos em ano eleitoral — o que poderia configurar abuso de poder econômico e propaganda eleitoral indireta . O partido também pediu a inclusão de Jair Bolsonaro na investigação e medidas cautelares contra Flávio, como entrega de passaporte e bloqueio de bens .
A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega irregularidades e afirma que o projeto segue todos os requisitos legais .
Caberá ao STF decidir se há elementos para reconhecer a suspeição de Moraes e se o caso deve ser redistribuído a Mendonça. O desfecho pode definir não apenas o futuro da produção cinematográfica, mas também o alcance das investigações sobre a relação entre o Banco Master, Daniel Vorcaro e o clã Bolsonaro — com impacto direto na corrida presidencial de 2026 .
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