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Direita Raiz
Saúde em colapso

33 mil pacientes crônicos racionam ou param tratamento por falta de remédio do SUS

Milhares de relatos expõem a realidade de pacientes crônicos que racionam ou abandonam tratamentos por falta de medicamentos essenciais

08/06/2026 09h12
Por: Redação
(Foto: Ilustração)
(Foto: Ilustração)

Nos corredores silenciosos dos ambulatórios públicos, na rotina exaustiva de quem lida com doenças que não dão trégua, uma realidade alarmante emerge dos números. Segundo levantamento recente, cerca de 33 mil pacientes crônicos no Brasil relataram ter racionado ou interrompido completamente seus tratamentos por conta da falta de medicamentos básicos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A cifra não é apenas estatística — é o eco de dores silenciadas, de corpos que lutam contra a escassez enquanto a doença avança.

Entre esses pacientes estão pessoas com hipertensão, diabetes, asma, epilepsia, transtornos psiquiátricos e outras condições que exigem uso contínuo e ininterrupto de remédios. Sem o comprimido diário, o controle da doença se perde. A pressão que sobe, a glicose que descompensa, a falta de ar que volta — cada sintoma é um lembrete brutal de que a falha na logística da saúde pública pode custar vidas.

O racionamento, prática adotada por muitos diante do desabastecimento, é uma aposta perigosa. Tomar o remédio em dias alternados, reduzir a dose por conta própria ou esticar ao máximo a caixa que restou são estratégias de sobrevivência que comprometem a eficácia do tratamento e aceleram complicações. Quando o remédio acaba de vez, a parada total abre caminho para internações evitáveis, sequelas irreversíveis e, em muitos casos, mortes precoces.

As causas do desabastecimento são múltiplas: desde falhas na previsão de demanda, passando por atrasos na licitação de fornecedores, até problemas de distribuição entre estados e municípios. O cenário se agravou após a pandemia, que desorganizou cadeias produtivas e desviou recursos. Contudo, para quem depende do SUS, explicações técnicas não amenizam a angústia de abrir um armário vazio.

A resposta do poder público precisa ir além de ações emergenciais. É necessário um monitoramento em tempo real dos estoques, aquisição planejada com base no perfil epidemiológico da população e canais efetivos para que o paciente denuncie a falta sem ser penalizado com a espera. Enquanto isso não acontece, 33 mil relatos seguem como alerta: racionar remédio nunca deveria ser uma escolha de quem já luta todos os dias pela própria saúde.

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