O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa reativou suas redes sociais na última terça-feira (16) com um recado ao eleitorado: "Estou estudando a possibilidade de, chegado o momento fixado pela lei, me lançar na disputa pelo emprego mais difícil e complexo do nosso país". A frase, publicada em perfis no Instagram, YouTube, LinkedIn, Kwai, Facebook, TikTok e no X, marca a entrada do magistrado aposentado no tabuleiro da pré-campanha presidencial de 2026 — mas com um diferencial: ele parece decidido a ignorar as pesquisas que o colocam longe dos líderes da disputa.
A estreia de Barbosa como pré-candidato do Democracia Cristã (DC) foi precedida por um vídeo produzido pelo partido, no qual o ex-ministro aparece vestindo uma toga preta como capa de super-herói, desligando com um controle remoto um paredão de televisões que exibem notícias sobre os principais adversários. A mensagem é clara: "Chegou a hora de virar a página".
O ataque foi cirúrgico e atingiu ambos os lados da polarização. Contra o presidente Lula, o vídeo resgatou duas falas polêmicas — uma sobre jovens que roubam celulares para sobreviver e outra sobre usuários de drogas —, descontextualizando os trechos para criticar a abordagem do governo à segurança pública. Contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a produção destacou notícias sobre os encontros do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do escândalo do Banco Master.
A estratégia busca posicionar Barbosa como uma terceira via, capaz de dialogar com eleitores cansados da disputa entre lulismo e bolsonarismo. O ex-ministro já havia flertado com a presidência em 2018 e 2022, mas recuou antes de oficializar a candidatura. Desta vez, a filiação ao DC, em abril, e a movimentação nas redes indicam que ele pretende ir até o fim.
O problema de Barbosa, no entanto, está nos números. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 10 de junho registrou o ex-ministro com apenas 1% das intenções de voto no primeiro turno, concentrado em eleitores das regiões Sudeste e Centro-Oeste que rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro. Levantamento mais recente do CNT/MDA, divulgado na terça-feira (16), mostrou um avanço tímido para 2,3%.
O desempenho reflete o alto grau de desconhecimento do ex-ministro entre os eleitores, apesar de sua notoriedade como relator do Mensalão no STF. Barbosa, no entanto, parece alheio ao cenário adverso. "Pesquisas eleitorais não desanimam esse sonho", afirmou ele em publicação, sugerindo que a construção de sua imagem como alternativa à polarização independe dos índices atuais.
A aposta é que, com a exposição nas redes sociais e o discurso de "virar a página", ele possa conquistar um eleitorado disperso e insatisfeito com os nomes tradicionais. O encontro recente com o tucano Aécio Neves, em uma livraria no Rio de Janeiro, reforça a tese de que Barbosa busca construir pontes com outros pré-candidatos de centro para viabilizar uma aliança que amplie seu alcance.
A reação dos internautas, no entanto, foi majoritariamente negativa. Nos comentários ao seu retorno, críticos apontaram oportunismo e atraso: "Sua hora de brilhar na política acabou", escreveu um usuário do X. O desafio de Barbosa, portanto, não é apenas superar as pesquisas — é provar que sua mensagem de renovação encontra eco em um eleitorado que, por enquanto, prefere continuar na polarização.
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