A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não ficou restrita às fronteiras brasileiras. Em uma rápida sucessão de eventos, o governo dos Estados Unidos e a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) emitiram duras críticas à decisão, classificando-a como um ato de perseguição política e um abuso do sistema judicial .
O Departamento de Estado dos EUA foi o primeiro a se manifestar oficialmente, por meio de um porta-voz, que afirmou que a condenação de Eduardo Bolsonaro representa "o mais recente episódio de um padrão de perseguição e de uso político do sistema judicial ('lawfare') pelos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos" . A nota reforça a visão de que "debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações" .
Horas antes, o presidente Donald Trump já havia demonstrado descontentamento em uma entrevista durante o encontro do G7. No entanto, ao comentar o caso, Trump confundiu os membros da família Bolsonaro, afirmando que haviam prendido "o Bolsonaro Jr." que estava "indo bem nas pesquisas" . Trump criticou as autoridades brasileiras, dizendo que elas "jogam pesado" e usou o exemplo para novamente ecoar suas próprias acusações de fraude eleitoral nos Estados Unidos .
Em paralelo, a CPAC, maior evento conservador do mundo, também se posicionou com veemência. Seu presidente, Matt Schlapp, emitiu uma nota de repúdio, ecoando a linguagem do "lawfare" e classificando a decisão como "uma grave violação das normas democráticas, da liberdade de expressão e do Estado de direito" .
A entidade defendeu Eduardo Bolsonaro, afirmando que seu "suposto crime" não foi violência ou corrupção, mas sim o ato de "expor a corrupção, censura e abuso de poder ocorrendo dentro do governo brasileiro e sua Suprema Corte" . Schlapp direcionou suas críticas diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que, segundo a nota, "se tornou o rosto desse abuso de poder judicial" . A crítica mais contundente foi sobre o fato de Moraes ter votado pela condenação em um caso onde ele mesmo se considera a vítima, o que, na visão da CPAC, é "impensável em qualquer sistema judicial imparcial" .
A reação do governo brasileiro veio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em Genebra, respondeu às declarações de Trump. Lula afirmou que o republicano "desconhece o Brasil" e expressou a esperança de que ele "não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania" . O presidente brasileiro sinalizou que, embora não se oponha à preferência de Trump pela família Bolsonaro, a interferência em questões judiciais internas é inaceitável .
Enquanto o governo Trump e a CPAC elevam o tom contra o que chamam de perseguição, o governo Lula reforça o discurso de soberania e não interferência, traçando as linhas de um novo atrito diplomático que promete marcar a relação entre os dois países nos próximos meses.
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