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Caso Master

PT e Banco Master: os rastros do governo Lula no escândalo

Investigações apontam que a maior fraude bancária do País chegou ao núcleo político do Planalto, com suspeitas sobre o líder do governo no Senado e ligações históricas com o PT da Bahia

19/06/2026 08h09
Por: Redação
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O escândalo do Banco Master, já descrito como a maior fraude bancária da história do Brasil, deixou de ser um problema restrito ao sistema financeiro para se tornar uma crise política que agora ronda o Palácio do Planalto . Com a nona fase da Operação Compliance Zero deflagrada em 18 de junho de 2026, os holofotes da investigação se voltaram para o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e um dos políticos mais próximos ao presidente .

As raízes do escândalo no governo federal não são recentes e se entrelaçam com a história política do Partido dos Trabalhadores na Bahia. O elo central entre o senador e o Master é o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco .

A conexão entre eles foi forjada na privatização da Ebal, a rede de supermercados estatal Cesta do Povo, processo conduzido por Jaques Wagner quando era secretário de Desenvolvimento Econômico do estado . O projeto, que deu origem ao cartão de crédito consignado Credcesta, foi a porta de entrada de Augusto Lima no setor financeiro. Mais tarde, em 2020, ele se tornaria sócio do Banco Master de Daniel Vorcaro . O próprio senador já admitiu ter se tornado amigo de Lima com o passar dos anos .

Essa relação histórica é tão problemática para o governo que, segundo o blog da jornalista Natuza Nery, o presidente Lula já havia questionado Wagner sobre o tema, ouvindo dele que "não havia nada" . A descoberta de novos indícios, no entanto, contradiz essa narrativa.

As Suspeitas que Pesam sobre o Líder do Governo

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, detalha três eixos principais da investigação contra o senador, que é descrito pela Polícia Federal como "suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas" :

  1. Vantagens Patrimoniais e Pagamentos: A PF apura a compra de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões, por um fundo ligado a Augusto Lima, a pedido do senador . Mensagens mostram Wagner enviando o número da unidade e o preço: "a unidade é a 1702 e o preço é de 2,45" . A defesa de Wagner argumenta que ele pediu que o empresário comprasse o imóvel como investimento e que o recompraria depois para ajudar a filha .

    Além disso, a empresa BN Financeira Ltda., ligada ao núcleo familiar do senador, teria recebido R$ 3,5 milhões de uma empresa de Augusto Lima, em outubro de 2025, pouco antes da quebra do banco . O enteado de Wagner, Eduardo Sodré, cobrou os pagamentos atrasados em mensagens: "Amanhã vence [sic] os boletos e são altos" .

  2. Atuação Parlamentar em Favor do Master: A investigação aponta que o senador atuou no Congresso em pautas de interesse do banco, como a chamada "Emenda Master", que visava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R250milparaR 1 milhão . Wagner também teria atuado para viabilizar a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). Uma mensagem de Lima ao senador, em março de 2025, diz: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!", que a PF interpreta como prova de que ele era um "interlocutor relevante" .

  3. Benefícios Pessoais e "Mordomias": A PF também investiga o uso gratuito de jatinhos particulares e o recebimento de ingressos de camarote para shows no exterior, como o da cantora Taylor Swift, em Los Angeles, no valor de R$ 63,3 mil . Em outubro de 2023, um jato de Augusto Lima foi colocado à disposição para uma viagem de Wagner e familiares .

A busca e apreensão em endereços do senador resultou na apreensão de cerca de US$ 55 mil e 33,5 mil euros em espécie . Ele justificou que o montante é fruto de diárias não utilizadas em viagens oficiais .

Repercussão e Impacto Político

A investigação sobre Wagner é especialmente sensível, pois ocorre em pleno ano eleitoral. A imprensa internacional, como a Reuters e a Bloomberg, destacou que o escândalo "chegou perto do presidente do Brasil" e "abalou a campanha eleitoral" .

O governo Lula, que vinha utilizando o caso para desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal rival nas pesquisas, vê sua estratégia se complicar . Enquanto a oposição foi atingida pelas gravações em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pedia R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para um filme, a investigação sobre Wagner coloca o escândalo no "círculo íntimo" de Lula .

Apesar disso, o presidente Lula ligou para Wagner para manifestar "absoluta confiança" . O senador, que afirmou que a operação não o abalará e ironizou o fato de a PF não ter agido contra outros investigados, declarou que "é muito difícil" que Lula o retire da liderança . Fontes do Planalto, no entanto, já questionam internamente a permanência de um líder de governo tão diretamente associado ao escândalo, a poucos meses das eleições .

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