O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), afirmou na manhã desta quinta-feira (18) que o Estado "não vai tolerar" nenhum tipo de desordem, em referência aos conflitos indígenas registrados nos últimos dias. A declaração foi feita durante evento na Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).
"Não há um palmo de terra no Mato Grosso do Sul onde o Estado não possa estar presente, garantindo a ordem, a institucionalidade e os direitos das pessoas", disse Riedel.
O governador também rebateu as declarações do deputado federal e ex-governador Zeca do PT, que havia sugerido que os autores do ataque à Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, no fim de semana, seriam ligados a políticos de direita.
"Ouvi alguém dizer que existe 'índio de direita' ou 'índio de esquerda'. Eu digo: existe criminoso de direita e criminoso de esquerda. Crime é crime. Não interessa quem o pratique ou de que forma o faça", declarou Riedel.
Ao comentar o episódio ocorrido em Sidrolândia, Riedel classificou a ação como "um ato direto de agressão e invasão de uma propriedade legalizada, com destruição de patrimônio privado e furto". Ele ressaltou que a polícia agiu para "restabelecer a ordem, recuperou os bens furtados e está encaminhando o indiciamento dos autores".
Sobre a resolução do conflito, o governador afirmou que "o Estado atua para manter e garantir a ordem, ao mesmo tempo que participa das discussões para a construção de um arcabouço legal definitivo sobre o tema". Riedel reconheceu que a discussão fundiária é legítima e se arrasta há anos no Congresso Nacional, mas enfatizou: "Essa é uma discussão legítima, mas não pode servir de motivo para a instalação da desordem".
Na sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) da última terça-feira (16), deputados do PT e do PL protagonizaram um debate acalorado sobre a ligação política do episódio. A tensão girou em torno da divergência sobre as motivações e a autoria dos ataques, que resultaram em depredação, incêndios e roubo de maquinários agrícolas em duas fazendas próximas à Aldeia Buriti.
O deputado Zé Teixeira (PL) iniciou o pronunciamento classificando as ações em Sidrolândia como atos de terrorismo. Em aparte, o deputado Coronel David (PL) apoiou a fala e associou o aumento de conflitos agrários à atual gestão do Governo Federal, comandada pelo PT.
Em resposta, o deputado Pedro Kemp (PT) contestou as declarações da bancada do PL e afirmou que o partido não possui qualquer ligação com os episódios de violência. O parlamentar citou manifestação anterior do deputado Zeca do PT para argumentar que as invasões foram conduzidas por um grupo isolado de indígenas que não integram os movimentos ligados à esquerda política, rechaçando a responsabilização da legenda pelos prejuízos causados nas fazendas.
"O que é que essa situação aí tem a ver com o PT? Porque o Coronel David só falou aqui do PT, jogando a culpa no PT. Não tem nada a ver! O deputado Zeca deixou bem claro que aqueles indígenas são de direita. Então, assim, ficar jogando aqui nas custas do PT? Ah, tenha dó! ", disparou Kemp.
Zeca do PT já havia informado aos parlamentares que se reuniu com caciques das aldeias no território indígena, entre os municípios de Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia. Na ocasião, foi elaborada uma ata constando o desconhecimento das lideranças sobre o atentado e a oposição aos atos criminosos praticados contra trabalhadores das fazendas.
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